
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Estudo pra quê?

domingo, 2 de agosto de 2009
Minha Promessa
Maria Fernanda,
Antes de te conhecer, minha vida estava fria e cinzenta; sentia-me vazio, imperfeito, incompleto. Mas aos poucos fui lhe conhecendo, me apaixonando por você. A minha vida tomou-se de um colorido vibrante, e as flores voltaram a florescer no jardim de meu coração a cada vez que te via, que conversava contigo. Hoje, não consigo mais ver-me sem você ao meu lado. Você me completa, me sacia. Ao seu lado, meu mundo se abre e ganha vida. Você é a motivação para eu alçar vôos mais altos. Te amo muito, de maneira que não consigo medir ou compreender.
E por te amar tanto assim, Maria Fernanda, minha amada, juro amar-te incondicionalmente, em todos os momentos de nossa vida juntos, protegendo-lhe, respeitando-lhe, honrando o sentimento que sei que tens por mim. Estarei ao seu lado em todos os momentos bons e adversos, suportando-lhe em todas as suas necessidades. Temos agora por espelho os nossos olhos; o teu riso dirá a minha alegria, e teu pranto a minha tristeza. Nossos caminhos agora serão um só caminho, nossas almas, uma só alma. Farei de ti a mulher mais feliz que existe, com uma felicidade que pouquíssimas imaginaram algum dia alcançar. Se eu fechar os olhos, tu estás presente; se eu adormecer, serás o meu sonho; e serás, ao despertar, o sol que desponta. Cantarão para nós os mesmo pássaros, e os mesmos anjos desdobrarão sobre nós as invisíveis asas. Partiremos a partir de hoje o mesmo pão; será nossa leitura à mesma lâmpada e aqueceremos as mãos ao mesmo fogo. E nem o mundo, nem guerra, nem a morte, nada mais poderá separa-nos, pois seremos uma só carne. E como prova de tudo o que jurei a ti, eu empenho agora, diante de todos aqui o meu caráter, a minha honra e a minha vida.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Promessa é dívida
Quando em tinha 17 fiz uma promessa a mim mesmo parecida com o filme “Antes de partir”... Fiz uma pequena lista das coisas que eu iria fazer na minha vida. Muitas coisas ainda não fiz, outras comecei a fazer e algumas eu já fiz.
Surgiu a oportunidade de cumprir mais uma dessas promessas. Tinha prometido, mais que isso, jurado, a mim mesmo que eu não morreria antes de comer um acarajé. Mas não seria qualquer acarajé... não poderia ser feito por qualquer pessoa, nem em qualquer lugar. Teria que ser feito por uma baiana legítima, numa barraca montada no meio da rua.Peguei ante-ontem (à trabalho sempre) no Rio de Janeiro um avião com destino a Aracaju. Fiz uma conexão de 3 horas e meia em Salvador. Pronto!!! A oportunidade perfeita havia sido orquestrada. Saí do aeroporto e me enfiei num táxi rumo à igreja do Senhor do Bonfim, no intuito de cumprir a minha promessa. Chegando à igreja, mal saí do táxi e fui abordado por uma baiana querendo me vender umas fitinhas do Sr. Do Bonfim. Não comprei as que tinham o nome do santo, mas comprei outras. Foi perto das escadarias que eu conheci Dona Nide. Uma legítima baiana: Preta, velha, mãe de santo, pernas inchadas e tudo mais que tem direito.
Confesso, consternado, que fiquei quase 10 minutos observando e tomando coragem para encarar aquele “quitute baiano”. Enquanto olhava atentamente o preparo dos bolinhos, pensava comigo mesmo:- Mas a promessa feita a você mesmo pode ser quebrada sem galho, é só você se perdoar.
- Que isso cara! Você já comeu coisa pior!
Estava travando uma batalha interna. Me enchi de coragem e pedi um acarajé. Tomei a decisão com a seguinte frase: “Pombas! Eu já comi o temido bolinho de nada no Restaurante Esquimó. Estou preparado para tudo.” Observei dona Nide fritar o acarajé num dendê tão preto quanto um óleo de máquina. Ela pegou o bolinho, partiu no meio, e perguntou apontando para umas bacias que estavam na bancada:
- Põe tudo meu filho?
- Tudo e com força tia! – respondi, sem saber que acabara de carimbar o passaporte para o inferno. Era vatapá, caruru, camarão seco, saladinha de pepino, pimentinha de cheiro e tudo que um bom acarajé pode conter. Pra que....
Comi a iguaria quase devolvendo-a. O negócio tinha um gosto estranho, não era bom nem era ruim. Quando acabei pensei: “Missão cumprida”. Ponderei até a possibilidade de tomar um banho de pipoca na escadaria para benzer a bomba que acabara de ingerir. Me enfiei num táxi e voltei para o aeroporto, orando para que meu organismo aceitasse esse "BigMac da Bahia" sem rejeição. Passei mal o resto do dia, entre dores abdominais e idas no banheiro. Entre essas idas e vindas, entronizado em gloria, prometi, ou melhor, jurei para mim mesmo que nunca mais na minha vida eu comerei outro acarajé. PROMESSA É DÍVIDA.
quinta-feira, 19 de março de 2009
O Caleidoscópio do Amor - p.4
Afundou-se no trabalho, recém reconquistado, para esquecer-se de tudo o que sentira, tentando enterrar o buraco-negro que se encontrava em seu coração. Começou a conversar com uma pequena, sem notar que aos poucos sentia mais vontade de conversar, de estar perto. Convidou-a para ir ao lírico, ouvir um músico, pianista célebre... A essa altura, já a via com outros olhos; olhos de quem queria algo mais de que uma simples amizade. Só o ranço do antigo namoro o atormentava. Na verdade tinha medo de que tudo voltasse a acontecer. Tinha medo de sofrer.
Para voltar para casa, pegou o mesmo lotação que a pequena. Angélica... nome que passava para ele toda a paz que ele buscava. Na hora que a pequena se preparava para descer da condução, tomou coragem e a convidou, cheio de medo, para ir ao cine. Foi correspondido e marcaram para o fim de semana seguinte.

quarta-feira, 18 de março de 2009
O Início

Nesse dia não foi procurar emprego. Ficou arrumando sua casa. Morava sozinho em um pequeno apartamento de dois dormitórios. Tinha o básico para a sua alimentação, e com os trocados que lhe sobraram de seu aniversário, conseguiu comprar 2 bifes para seu almoço.
Ao final desse dia, recebeu um telefone inesperado. A mesma pessoa que o demitira 10 meses atrás o estava chamando para trabalhar novamente. Vestiu rapidamente uma roupa e foi ao escritório da empresa. Foi recontratado para começar a trabalhar imediatamente.
É como se tudo se refizesse em sua vida como num passe de mágica. Sabia no entanto que não era acaso o que tinha acontecido. Tinha plena consciência que Deus atendera sua prece. Sabia que o responsável por toda a reviravolta era exclusivamente porque aprouve a Deus assim fazer.
Mas uma coisa ainda perturbava Euzébrio. Ele ainda carregava a sensação de um amor perdido...
segunda-feira, 16 de março de 2009
O Fim
Era manhã de sexta-feira. O dia acordara cinzento quase negro. Euzébrio levanta arrastando-se; derrotado… era véspera de seu aniversário. Desempregado há 10 meses e sem um “puto” na carteira, toma coragem para procurar trabalho. Pega dinheiro emprestado com um amigo para pagar o lotação. Volta para casa, derrotado.
O motivo da derrota de Euzébrio não era o desemprego ou sua atual falência financeira. Na verdade, sofria por causa do termino de seu namoro com Adelaide. Euzébrio sempre alimentava a esperança de que Adelaide voltasse para ele. Seu mundo desabou realmente quando Adelaide lhe confessou, em público que estava namorando outro. Isso foi como uma punhalada certeira no coração de Euzébrio.
No seu aniversário queria sumir. Ganhou de presente uma quantia mínima para que fosse comemorar seu aniversário. Era o suficiente para tomar umas cervejas com os amigos e voltar para casa. Quando chegou em casa, que estava escura e silenciosa, sentiu o chão sumir de seus pés. Ficou sem apoio, sem norte. Chegou a querer o fim. Tomou um banho e foi dormir. Ao deitar na cama, chorou longa e copiosamente. Não agüentara mais o que estava vivendo. Chegou ao fundo do poço. Chegou ao fim.
Nesse momento, ouvira em suas lembranças um precioso ensinamento que sua mãe lhe ensinara há muito tempo. “Todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus.” “Confia Nele, e no mais, Ele tudo fará.” Euzébrio viu que na verdade, ele necessitava se esvaziar dele mesmo para que Deus pudesse agir. Naquele momento, de joelhos e com o rosto sobre a poeira, Euzébrio clama a Deus, entregando todo o seu ser, e a sua dor. Desistira de lutar naquele momento e abriu o espaço necessário para que Deus entrasse e arrumasse sua morada. Dormiu com paz, uma paz que só Deus poderia dar…
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
O Caleidoscópio do Amor - p.3
Na verdade, Tereza nutria por Cleidonir um amor platônico, desses que nunca seriam correspondidos. Ela não era o tipo de mulher que despertaria o interesse de Cleidonir, e sabia disso, mas tentava sempre despertar algum tipo de sentimento, algum tipo de furor no pobre rapaz. Ela necessitava ser correspondida.
Passou a viver em função de seu amor não correspondido. Chegou ao cúmulo de seguir o rapaz para descobrir quais locais freqüentava e por quais ruas costumeiramente transitava. Começou a cercar o rapaz para que fosse notada, com roupas cada vez menores e mais apertadas. Certo dia, esbarrou propositalmente em Cleidonir no passeio público. Encheu-se de ódio porque não foi notada usando uma mini-saia três números abaixo do que lhe cairia bem.
Enquanto esperava, contanto cada minuto, que Cleidonir passasse pelo café, foi encontrada ao acaso por um amigo de colegial, que não precipitou em conversar:
- Tereza, há quanto tempo não lhe vejo, como você está formosa! – Na verdade, Adamastor foi seduzido pelo corpo de “Deusa do sexo” que Tereza cultivara.
- Oi Adamastor. – Tereza respondeu, sem entusiasmo, como se quisesse se livrar rápido dele, para esperar seu grande amor, Cleidonir, passar.
- Posso me sentar?
Antes que Tereza pudesse inventar qualquer desculpa para que Adamastor a deixasse sozinha, ele puxou uma cadeira e rapidamente pediu ao garçom que lhe trouxesse 2 cafés com doces. Ele começou a puxar assunto com Tereza, que respondia as perguntas de modo quase monossilábico, para ver se ele desistiria. Adamastor não tinha nem um pouco da beleza ou porte de Cleidonir, pelo contrário. Baixo, com seus quase 1,60m, pouco mais de 50 quilos, tinha cor de leite estragado e seu rosto tinha grande semelhança com as crateras lunares. Embora não tivesse o perfil que pudesse despertar Tereza, insistia em puxar conversa, numa esperança que a mulata lhe desse alguma condição.
Tereza estava quase pedindo para Adamastor se retirar, quando vê Cleidonir passar pela porta da frente do café. Tereza paralisa-se, com um olhar de cachorro que caiu da mudança, quando vê que Cleidonir está acompanhado por uma pequena esquálida de feições frágeis e cálidas. Os segundos em que o casal levou para atravessar a frente do café pareceram como minutos, ante Tereza que se sentira derrotada por uma inimiga desconhecida, e que nem de longe cultivara os predicados que faziam dela uma mulher notável.
Assim que Cleidonir sumiu da frente do café, Tereza vira-se para Adamastor segurando-o pelo colarinho da camisa e taca-lhe um beijo desses de tirar o fôlego dos homens mais atléticos. Com uma mão puxava a gola da camisa em sua direção e com a outra apalpava as pernas do rapaz, que tremiam qual bambu verde. Ao terminar o longo e alucinante beijo, Tereza berra no café:
- Eu sempre te amei e sempre vou te amar, toma-me agora e faz de mim a mulher mais cobiçada e amada do mundo. Me possua e faça de mim o que quiser, meu garanhão!
Tereza ficou com um para esquecer do outro...... Isso é ficção e só acontece por aqui. Será?sábado, 15 de novembro de 2008
O Caleidoscópio do Amor - p.2
Antes eu corria para você. Agora eu estou correndo de você e deste amor estragado que você tem me dado. Eu te dei tudo que um garoto poderia te dar. Pegue minhas lágrimas e isso não é realmente tudo... Amor estragado.
Agora eu sei que tenho que fugir, eu tenho que escapar. Você realmente não quis algo de mim.Fazer as coisas certas... Você precisa de alguém para te segurar firme. E você pensará que amor é pra rezar. Me desculpe, mais eu não rezo de jeito nenhum.
Uma vez eu corri para você. Agora eu correrei de você...
Não me toque, por favor, eu não suporto o jeito que você implica. Eu amo você, embora você me magoe tanto. Agora embrulharei minhas coisas e irei emboraMe toque, baby, com esse seu amor estragado...
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
O Caleidoscópio do Amor - Epílogo
- Aprecio seu amor, porco-espinho. Amas-me tanto quanto dizes mesmo?
- Tu és como a brisa da tardinha, que acalenta meu coração. Como o sol trazendo a alegria, como a chuva que traz vida à terra seca da minh’alma. Por você, borboleta, atravesso oceanos, transponho montanhas, cruzo desertos, desbravo savanas. Sou capaz de qualquer coisa para estar ao seu lado, borboleta. És a razão do meu existir, és o ar que respiro... Tudo o que sou vem de ti e é inspirado em ti. Sem ti, morreria de amargura.
- Se me ama mesmo, porco-espinho, deixe-me voar... Necessito conhecer o mundo, ter novos horizontes. Meu mundo não é esse. Tenho asas para voar. É o meu destino, minha missão.
- Não borboleta, não posso lhe deixar ir. Minha vida acabará. Tudo é sombrio e cinzento sem a tua luz. Necessito de ti, como do alimento que a natureza me dá. Deus me deu você para que a minha vida tenha cor.
- Não é o fim, porco-espinho... Somos jovens. Você encontrará uma fêmea de sua espécie. O mundo não acabará.
- Não posso deixar que vá borboleta, te amo mais que minha própria vida. Só você pode me fazer feliz.
- Porco-espinho, não posso te fazer feliz, pois não lhe amo. Gosto de ti como amigo.
- Necessito de ti, não te deixarei ir.
- Não, não me abrace, porco-espinho, não toque em mim, você vai me machucar. Ah...
Ao afrouxar o abraço, a borboleta cai morta, atravessada pelos espinhos do porco. Por causa desse amor doentio, o porco-espinho matou a borboleta que tanto amava... Em nome do mesmo tipo de amor, Lindemberg Fernandes Alves, seqüestrou e assassinou com dois tiros sua ex-namorada Eloa Cristina Pimentel. Um Amor Estragado.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Depois da Queda, o Coice...
“Acordo com a alma pesada, rasgada, dilacerada. Ao me erguer, o mundo balança, gira com fúria e violência. Náuseas... Vomito em minha cama e sobre minhas pernas. Hoje não deveria existir. Arrasto-me para o chuveiro. A água cai como uma chuva de granizo sobre minha cabeça. Sinto a dor de cada gota... o cheiro da água é fétido, como uma água de fosso. O cloro contido na água é muito, percebo meus olhos ardendo. Não tenho roupas passadas para sair, atrasado, para a aquela coisa que chamam de emprego.
Chego a minha baia; a bagunça que deixei ontem continua a me encarar, desafiando minha capacidade de arrumá-la. O condicionador de ar está com defeito e o calor é infernal. Um espírito-de-porco borrifa essência de eucalipto no departamento. O Calor e umidade me deixam desnorteado, sem chão. As náuseas voltam e devolvo o café da manhã à mesa, por cima de todos os papéis e do computador. O odor e a circunstância fazer a secção fechar por quase todo o expediente. Depois que recupero, me levam para que eu descanse em uma sala toda azul. Teto, paredes, carpete e cadeiras azuis. Na parede à minha frente um quadro, com um grande portão aberto pintado, e atrás desse portão, uma longa estrada que termina no infinito. Um cara que nunca vi antes me chama, depois de quase uma hora de descanso na sala. Ao entrar em seu cubículo, também azul, ele me pede para aguardar um momento enquanto vasculha uma pilha de papéis à sua frente. Tocava uma música no rádio, que dizia que tudo acabara e me desejava boa sorte. Em seguida, me entregou um envelope azul e me desejou sucesso.
Ao voltar para casa, desolado, uma movimentação estranha na rua. Um caminhão de lixo perdera a direção e entrara pelo muro de minha casa adentro, despejando quase todo o lixo dentro de minha sala. Não poderia entrar em casa naquele momento. Saio para beber. Tomo 4 garrafas de cana e não fico bêbado. Até isso deu errado hoje.
São 2h da madrugada. A rua está deserta. Meus fantasmas e demônios me atormentam. Torço para ser atropelado naquele momento, para que cesse minha dor. Não sou. Não passam carros na rua. Ao vagar, me deparo com 3 trombadinhas assaltando um cara no outro lado da rua. O cara resiste e leva uma facada na barriga. Fico olhando os pivetes correrem com a bolsa, enquanto o cara cai na calçada se contorcendo de dor. Depois de olhar por quase um minuto, atravesso a rua correndo e chego chutando o sujeito. Chuto muito a sua cara e vejo sua pele ficar no asfalto. Ele agora está irreconhecível, desfigurado, não se meche mais. Pronto, sinto-me melhor ao ver alguém pior que eu. Recupero-me. Depositei minhas frustrações e angústias sobre ele. Os fantasmas e demônios ficaram a rodear o cara inconsciente. Ligo para a polícia de um orelhão e informo o que aconteceu. Vou para casa dormir. Amanhã é um novo dia.”segunda-feira, 8 de setembro de 2008
O Egoísmo Egocêntrico do Ego Ególatra.
Roboaldo vagava pelo bosque, com o cadáver sobre seu ombro. Era noite... uma noite fria e úmida de outono. Apenas a lua tentava, por entre as densas copas das árvores, iluminar o caminho que Roboaldo seguira. Uma névoa acinzentada impedia-o de ver mais do que alguns metros ao redor. Depois de caminhar 5 horas, Roboaldo coloca o cadáver dentro de um tronco de uma árvore morta. Desistira de cavar uma cova e enterrar o bailarino de corda, como o havia jurado momentos antes de sua morte.
Durante o tempo que vagava, meditava em tudo o que lhe havia acontecido. “-Não mereço isso. Deus, porque me deixou à sorte para que eu morra?”. Culpava a Deus pelo que lhe acontecia, como que por castigo por ser o homem mais inteligente do mundo. Uma noite, Roboaldo dormiu com uma imensa paz em sua alma. Tudo elucidou-se nesse momento. Roboaldo sonhou com uma colina verdejante, com uma frondosa macieira em seu topo. Ao lado, um casebre com uma chaminé. Havia luz, mas não sol. Roboaldo admirou essa paisagem por toda a noite.
Ao acordar, Roboaldo soube o que precisava. “- O Homem é mesquinho e leviano em seus pensamentos e sentimentos. Tudo que faz é apenas visando a sua própria felicidade e satisfação. Só faz caridade porque se sente bem. Só vive para se sentir feliz. Se fazer o bem entristece o seu coração, então ele fará o mau. Nada fará para ajudar outra pessoa, se isso não o fizer feliz ou trouxer contentamento. Não se casará se os frutos não forem favoráveis a si próprio, não importando o que a outra pessoa sinta. Não ama para fazer alguém feliz, e sim para ser feliz. Só isso importa, apenas sua própria felicidade. Nada mais. Os religiosos eméritos que freqüentam igrejas, só o fazer esperando a recompensa em vida, são como o filho que ficou, e que queria mais a morte do pai do que o que foi embora com parte dos bens. Perdulários hipócritas. Abutres que se alimentam dos restos das pessoas mortas. Baratas que defecam mentiras onde possam contaminar e matar mais pessoas, para se alimentarem. Tudo buscando a satisfação pessoal. O regozijo imediato. Não conseguem enxergar além do próprio ego doentio. Escória.”
Ao concluir sua reflexão, milagrosamente sua visão é devolvida. Roboaldo rapidamente retorna ao povoando e sobe na mais alta torre da igreja. Ao perceberem Roboaldo na torre da igreja, as pessoas que estavam na praça voltam seus olhares para Roboaldo, que prontamente se põe a bradar suas verdades: “- Legião de víboras peçonhentas! Abutres! Baratas! Escória! Não conseguem olhar além de suas próprias vontades e desejos. Em nada contribuem, todavia ficam se saciando com o pouco que têm. Só conseguem enxergar o próprio desejo, a própria satisfação e contentamento. Bando de enfermos de alma. Deixem seus egos e vivam uma nova era, onde não haverá mais a busca pela satisfação pessoal extrema, e sim a satisfação, alegria e felicidade coletiva. Bando de imprestáveis.”
Nesse momento Roboaldo perde a cabeça e a torre da igreja, e tal como o bailarino se precipita, mas em seu próprio abismo interno. Cai no meio da rua de paralelepípedos. Nesse momento, antes de perder a consciência, vê as mãos, que tanto necessitara ver, se estendendo para ele. Ao acordar, se vê tetraplégico, internado em um asilo, rodeado de pessoas surdas. Nunca mais ninguém escutou o que Roboaldo falara.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
A DIVINA CABEÇA DE JOCASTA ESTÁ MORTA!
Ao chegar ao meu trabalho hoje, deparei-me com uma multidão de músicos esfuziantes. Todos se movimentavam de um lado para o outro qual formigas que trocam entre si informações de onde está um doce.
Rapidamente, um músico se aproximou de mim, com um sorriso na face que se estendia de uma orelha a outra dizendo: “- Já sabe da última?”. Antes que eu perguntasse sobre qual última ele falava, o músico de olhar reluzente disparou: “- Houve uma reunião ontem do Theatro Municipal, com a Orquestra, o Coro, o Ballet e os funcionários, e ficou acertado por maioria arrasadora que exigiremos que o Maestro seja exonerado do cargo. Conseguimos uma vitória!”. Soube que no final, redigiram uma carta e mandaram uma cópia para o Governador, A Diretora da Fundação TMRJ, e mais uma cópia para a imprensa ventilar o ocorrido.
O que me chamou mais atenção é que o músico estava radiante e saltitante não faz parte do Corpo Cênico do Teatro. O Cara estava alegre porque o Maestro irá perder (ou iria perder, não sei...) o cargo. Alegria na desgraça alheia. Ele não se continha de tanta alegria. Depois de me dar a “alegre” notícia, ele voltou para se alegrar com os outros músicos serelepes que estavam tumultuando a rua, e marcaram o churrasco de comemoração à exoneração.
Como tive que passar no meio dos músicos para entrar na SCM, todos os comentários eram de alegria e alívio pelo fato da exoneração do maestro. “Aleluia, já vai tarde!”, “Agora só falta ele sair daqui também!”, “Bem feito para ele”, “Fora Lula!”.
Ao passar pela multidão incontida, lembrei-me da história de Oedipux Rex, concerto encenado que fizemos no encerramento da temporada no ano passado. Os músicos querem que o maestro seja exonerado. Daqui a pouco requererão a direção artística. Espero que no fim das contas não fiquem cegos mediante as conseqüências de seus atos.Quanto à alegria sentida na desgraça alheia, acho muito triste que isso aconteça. Que pessoas se sintam melhores porque outra perdeu o cargo. Sei que isso sempre existirá. Faz parte da condição humana. É utópico achar que isso acabará algum dia aqui na terra. Faz parte de nossa condição mortal adquirida. Só me resta não ser assim e nadar contra a maré da alegria necrófila.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Imprestável
Há quase um mês atrás, passei 5 dias em São Paulo a trabalho. Trabalhei na segunda, fiquei de folga na terça e quarta e trabalhei na quinta novamente. Como estava “de bobeira” nos dias de folga, resolvi aproveitar, com alguns colegas de trabalho, para conhecer um pouco mais a cidade. Como estava hospedado em Higienópolis, bairro próximo ao centro, resolvemos ir a pé até a Rua 25 de março. Ao chegar à referida rua, fiquei observando a qualidade das mercadorias que os mercadores de rua (camelôs) estavam negociando. Tinha uma cara vendendo um termômetro digital a R$ 5,00. Assim que cheguei perto para examinar a mercadoria, o cara perguntou: “- E ai? Vai levá quantos?”. Como notei que o termômetro era descartável, saí fora, e não comprei nada nesse dia.Muita gente estava vendendo um monte de bugigangas lá. Nem comento sobre a galeria Pajé. Voltando para o hotel, refleti sobre o que tinha visto. Muitos vendendo e comprando coisas, das quais a maioria é ruim. Imagino como era há 200 anos atrás. Logo vislumbrei um cara vendendo uma saca de sal e perguntando para o freguês: “Vai levá quantas?” Se uma saca de 60kg de sal demora quase uma vida para ser consumida, imagina 3. E o sal só é consumido, quando ele é bom, ou seja, quando salga. Quando não salga, é lançado fora e pisado.
Assim como o sal, deve ser nossa atitude. Devemos ser “prestáveis”, para não sermos descartáveis. Nossas atitudes têm que condizer com aquilo que falamos por ai. Não podemos falar de paz e amor, se fazemos guerra. Tenho aprendido no grupo de estudo bíblico, do qual participo, que devemos ser o sal da terra, para fazermos a diferença no mundo em que vivemos. Devemos ser luz para iluminar a escuridão. Não é para nos tornarmos “chatos” esbravejadores da palavra de Deus, mas sim sermos verdadeiros e corretos para que possamos levar amor às pessoas. Acho que não estou me tornando chato, até porque, demasiado sal estraga qualquer comida.
Outro dia um amigo meu da banda me disse que estava ficando chato, porque estava mudando o meu jeito como conversara depois de começar a estudar a bíblia. Acho que comecei a prestar, pois logo assim que chegamos à igreja e guardamos os instrumentos, os integrantes da banda perguntaram para mim, e outro amigo integrante do grupo, como funcionava o estudo que estamos fazendo, como se aplicava o que estávamos aprendendo.
Necessitamos ser sal e luz se queremos um Rio de Janeiro melhor. Agir e não falar. Construir e não arruinar. Ser e não fingir....quinta-feira, 31 de julho de 2008
Inegociável
Trabalho no centro do Rio de Janeiro, e ao lado do prédio onde trabalho, funciona uma “bicholotérica”, onde diariamente, ficam uns 3 ou 4 apontadores do bicho. Passando pela porta da lotérica, parei para observar a fila que se formava para apostar, e vi um cara saindo da banca conversando com um papelzinho amarelo onde estava apontado o jogo. “Olha, dessa vez vê se facilita pra mim, pois apostei com fé na borboleta(...) depois você me da a forra e eu até fico um tempo sem jogar.”O cara tava negociando com um papel amarelo o premio do bicho. Confesso que na hora tive vontade de rir, por ver um cara tratando com uma aposta. Depois que o primeiro sentimento passou, fiquei com pena do cara, por ver a falta de fé, que o levou a conversar com uma aposta.
Existem coisas que não são negociáveis. Não dá para negociar com a fé, por exemplo. Não dá para negociar com os valores que constroem uma pessoa (pelo menos não com os meus!).
Estamos no começo das campanhas eleitorais para prefeitos. A negociação para fazerem aliados chega a ser controversa. “Embora eu não vá com a cara do seu partido, você me apóia e em contrapartida, ganhando, lhe dou uma secretaria”. Negociam-se valores para que planos corruptos sejam arquitetados muitas vezes. Todos querem saber quanto vão levar na negociação, e se a sua parte é maior do que a dos outros.
Para mudar essa situação, temos que primeiro resgatar todos os valores bons que temos, e mudar as nossas atitudes para com os outros. Não dá para fazer uma mudança macro, se primeiro não mudamos o nosso comportamento micro. Somos a base de todas as mudanças e revoluções que podemos fazer, mas para que tenhamos sucesso, é necessário que estejamos sãos para que possamos contagiar a outros. Temos que deixar Deus entrar em nós, cada dia mais, para que tenhamos forças para mudar a nós mesmos e aos outros.
Todos os dias peço mais de Deus em mim, para que eu possa fazer a diferença onde estou. ISTO NÃO NEGOCIO. NUCA.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Invendável
Uma vez, um cara me perguntou, após um show de uma banda que eu tocava, quanto eu queria no meu teclado, porque ele gostara tanto dos sons, que pretendia levá-lo no mesmo momento. Disse-lhe que não estava a venda, todavia ele insistia para que eu vendesse. O teclado continua comigo até hoje. Pensei na hora em pedir um valor exorbitante para ver se ele toparia. Contive-me.
Algumas pessoas acham que tudo e todos estão à venda. Em uma reportagem sobre corrupção, um incauto investigado afirmou que todos as pessoas que ele necessitava corromper estavam à venda. A questão era apenas de acertar o preço. “- Todos tem um preço(...) alguns pedem R$10.000,00, outros R$ 1.000.000,00”, afirmou o corruptor. No fim da reportagem, o negociante foi filmado saindo algemado e com a cabeça encoberta por uma camisa.
Alguns tentam corromper valores. Manipulam pessoas ilibadas para conseguir vantagens sobre pessoas não manipuláveis. Montam quase uma guerra de nervos. Mas isso não vem ao caso...
Para mim tem coisas que não tem preço ou valor. Minha felicidade ou meus valores não estão à venda. Às vezes tentam comprá-las, mas sempre sem sucesso. Fui demitido uma fez de meu emprego por me negar a fazer algo que era errado. 10 meses depois, fui recontratado, pois trabalhava bem, e estou nele até hoje. Passei por momentos difíceis, mas nunca me vendi para sair do sufoco. Posso dizer, seguramente, que Deus me honrou por minha atitude de não fazer algo errado.Outro dia, a mais ou menos 1 mês atrás, fui tocar com a banda DDM, na qual sou tecladista, em uma igreja em Ricardo de Albuquerque, na zona norte do Rio de Janeiro. Ao chegar lá, fomos recepcionados pelos jovens da igreja, que com carinho e presteza nos acolheram e nos deram suporte em tudo o que precisamos. Durante nossa apresentação, observei que tinham pessoas que cantavam junto conosco, gostando do tipo de música que estávamos dedicando a Deus. Outras pessoas ficaram apáticas, indiferentes ao que estava acontecendo no culto. Tocamos uma música que compus a mais de 10 anos, chamada florescer. Depois que o culto terminou, desmontamos todos os instrumentos e guardamos nos carros. Enquanto esperava no estacionamento por um membro da banda que foi levar um parente em casa, uma menina de uns 7 anos aproximou-se de mim e me disse que gostara muito da música que fiz, e me deu um abraço. Depois disso, virou-se e foi embora com sua mãe. Esse gesto puro e simples da menina me paralisou. Fiquei sem reação, frente à pureza da criança. São momentos assim que não podem ser comprados ou negociados. Esse abraço valeu mais do que qualquer dinheiro que pudéssemos ganhar.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
A Efemeridade do Ego Vaidoso
Todos se preparam, esperando o sinal para que possam buscar o sonho. Os poucos segundos que antecedem o sinal são como anos nos olhos que quem o aguarda. O céu ao fundo está alaranjado quase azul, a poucos minutos do anoitecer total. Ao soar o sinal, todos se lançam em busca da realização suprema. Os olhos dos que ficam atrás vazam ao ver o sonho partir; os que estão na frente retiram forças de seu interior, de onde não imaginavam. 9,71 segundos após o sinal, 1... somente 1 consegue a glória.
Nesse momento, não só os 120.000 que estão nas arquibancadas, mas todas as pessoas do mundo reverenciam-no por ter conseguido, por ter alcançado o topo do mundo... Glórias! Toda a glória seja dada ao vencedor. O Homem insuperável! O Super Homem! Ao subir no pódio, o vencedor recebe os louros da vitória, a medalha de ouro e olha para as arquibancadas. O último raio de sol desapareceu do horizonte. Já é noite. Ao descer no pódio, ao retornar para o mesmo nível dos demais competidores, ele fala a si próprio: “- Necessito preparar-me e treinar mais e exaustivamente. No mês que vem, há uma competição internacional e necessito estar bem... tenho que ganhar novamente.”
Essa busca por glória consome o ser. Esse ano, o espanhol Rafael Nadal venceu o suíço Roger Federer na final do torneio de Winbledon. No ano que vem, Nadal tem obrigação de vencer, para sustentar sua posição no ranking... Muitos trabalham apenas para serem notados. Precisao ser notados para suprir sua carência de glória humana."Vaidade de vaidades.... Tudo é vaidade..."
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Palavras ao vento... Frases ao Relento
Em uma manhã cinzenta de outono, erguendo-se com a aurora, pôs-se em frente ao sol e falou da seguinte maneira: “- Grande astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a que iluminas?”. Nesse momento Roboaldo se deu conta de que era o ser mais inteligente que já habitara a terra. “- Já estou tão enfastiado de minha sabedoria, como abelha quando acumula demasiado mel. Necessito de mãos que se estendam para mim. Preciso repartir meu conhecimento com os menos favorecidos, até que os sábios tornem a gozar de sua loucura e os pobres, da sua riqueza.” Roboaldo resolve descer de sua caverna e repartir a sua sabedoria com o povo.
Ao chegar ao povoado, Roboaldo encontra uma grande multidão reunida na praça pública, onde estava anunciado um espetáculo de um bailarino de corda. Roboaldo prontamente se põe a bradar suas verdades irrevogáveis, mas ninguém que estava ao redor lhe dava atenção. “- Eu vos anuncio o Super-homem! O Homem é superável! Eu sou o Super-homem!”. Ninguém se dava ao trabalho de olhar, ao menos. Eis que a multidão emudeceu e todos os olhares foram atraídos, quando abriu-se uma portinhola em uma das pontas da corda, que estava amarrada à torre de duas igrejas que se localizavam em lados opostos da praça. A multidão, na sua maioria pobre, com os pés descaços sobre os paralelepípedos sujos, olhava atentamente para o bailarino, que andava com cautela sobre a corda.Quando o bailarino estava na metade do percurso, outro, fantasiado de palhaço, sai correndo pela corda e gritando para o primeiro bailarino sair da frente. Ao chegar muito perto do que estava parado paralisado no meio do caminho, salta por sobre os seus ombros e continua correndo para o final da corda. Aclamado pelo público, o palhaço ri do bailarino que ainda estava estagnado no meio do percurso. Este, ao ver o rival vitorioso, perdeu a cabeça e a corda, largou o balancim e precipitou-se no abismo como um remoinho de braços e pernas. A praça pública e a multidão pareciam o mar quando se desencadeia a tormenta. Todos fugiram atropeladamente, em especial do lugar onde deveria cair o corpo. Roboaldo permaneceu imóvel, e junto dele caiu justamente o corpo, destroçado, mas ainda vivo.
Toda a multidão sai em cortejo, carregando o vitorioso. Ninguém, além de Roboaldo, ficou na praça. “-Fizeste do perigo o teu ofício, coisa que não é para se desprezar. Agora, por causa do teu ofício sucumbes e atendendo a isto, vou te enterrar com minha própria mão.” O moribundo não respondeu, mas moveu a mão como se procurasse a Roboaldo para agradecer.
Abeirava-se a noite e a praça sumia-se nas trevas. Prontamente Roboaldo ergue o cadáver frio, colocando-o em seu ombro e pôs-se a caminhar em direção ao bosque para cumprir a sua promessa.
Eis que o homem mais sábio do mundo, por sua sabedoria absoluta e indefectível, carrega agora um cadáver frio que de um modo fugaz, jogou sorte com sua própria vida.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
A Díspare Ululante
Depois de observar uma discussão, há 1 ano, no senado sobre o aumento dos salários, fiquei indignado. A questão dos senadores não era o efeito que o aumento para os senadores e deputados iria causar aos cofres públicos, e sim se o aumento de 74,12% seria digno ou não. Meu pai... um aumento de quase 75%. Nessa hora eu pirei. A inflação acumulada naquele período era de quase 7%, o salário mínimo aumentara 4,12%, tive um dissídio substancial de 3%; não pude suportar esse aumento para os deputados. E olha que no ano anterior, eles tiveram quase 50% de aumento. No final das contas, em 2 anos, o salário dos deputados e vereadores aumentou quase 300%; Eram mais de R$ 8.500,00 e passou para algo em torno de R$ 24.000,00.Não acho, e a maioria avassaladora dos brasileiros deve achar também, que isso é certo. Tantos outros profissionais públicos e privados têm funções mais importantes que esses distintos cidadãos supracitados, e não tem uma fração do reconhecimento merecido. Muitos aristocratas de plantão bradam: “- O trabalho dos deputados e senadores é dos mais importantes, pois ditam o rumo que a nação toma.” Não concordo muito com isso não. Vejo por outro lado.
Qual o bem mais precioso que você possui? Antes de você pensar em saúde, família e outras coisas. Convenciono o seguinte: Bem é apenas aquilo que você pagou algum dinheiro para adquirir. Como você não pode dar dinheiro em troca de uma verdadeira amizade, amizade não é bem; você não compra a sua família, portanto família também não é bem. Alguns dirão que o bem mais precioso é o carro, outros a casa e por ai vai. Posso afirmar com certeza que o bem mais precioso que qualquer pessoa possui é o conhecimento. Paga-se caríssimo pelo conhecimento. Mesmo quem estuda em um colégio, ou faculdade pública, paga alto com seus impostos. Não há bem mais caro do que esse.
Quando somos contratados por algum empregador, sob uma visão capitalista, vendemos nosso tempo e a habilidade em resolver problemas. Todos são contratados para resolver problemas. O médico é contratado para resolver o problema de saúde do paciente. Quando ele recebe o salário, recebe o pagamento pela venda de X horas de seu trabalho e sua capacidade de resolver problemas. A parte da realização profissional pessoal eu deixei de lado. É uma visão extremamente fria da situação. Visão fria e capitalista.
Dentre todas as profissões que existem, só existe uma que vende o bem mais precioso: O professor. Todos os professores vendem diretamente o conhecimento adquirido à preços exorbitantes como se fossem bananas. São responsáveis por ensinar valores, ética, honestidade... transmitem conhecimento diretamente para o aluno, para que este possa galgar uma carreira promissora no futuro. Não vendem seu conhecimento a esse preço porque querem, mas sim porque é imposto a eles. Um professor do estado ganha cerca de R$ 650,00. Uma miséria. Estão há quase 7 anos sem reajuste salarial. Tenho vergonha disso.
Acho que os profissionais como os professores, policiais honestos, bombeiros devem ter os salários mais altos do país. Acho mesmo. Devemos pagar o justo pelos benefícios que esses profissionais trarão aos nossos filhos as gerações que virão. Com uma educação de qualidade e séria, seremos um país irrepreensível.
Aos professores, que continuam lutando por um ideal, meu agradecimento por não terem desistido de tentar fazer o Brasil melhor.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Colinas de Pastos Verdejantes

Logo de manhã, ainda bem cedo, desço para comprar o pão, na padaria que fica na base da colina. Todos os dias têm pão fresco e quente na padaria da colina. A padaria não tem estoque, por ser muito pequena. Isso garante sempre os ingredientes frescos, todos os dias os funcionários da padaria recebem os ingredientes para fazer o pão no dia seguinte. A farinha, o fermento, os ovos... tudo é entregue todos os dias na padaria da colina.
Depois do café, tomo um banho e me arrumo para trabalhar. O meu escritório fica muito perto da colina. Vou andando e vejo outros trabalhadores indo para os seus ofícios. Professores, jornalistas, assistentes sociais, operários... Os operários que trabalham na própria colina levam suas ferramentas de trabalho na mão, ou presas em seu cinto.
É noite no alto da colina. O céu estrelado emoldura a festa que acontece na colina. As barracas montadas vendendo as comidas típicas das festas na colina. O quentão, a canjica, paçocas, pés-de-moleque, maçãs-do-amor, cocadas boas e gostosas, pretas e brancas... ahhh, as cocadas. Como é gostosa a comida vendida na festa. Os balões, bandeirinhas, a fogueira subindo no meio da festa. Todos aguardam ansiosos, o momento mais especial da noite. Chega o momento especial. Uma queima de fogos anuncia a chegada da quadrilha, para o deleite e regozijo de todos que aguardaram. Lindas coreografias, roupas maravilhosamente costuradas, babados e rendas deslumbrantes. Tudo é perfeito na apresentação da quadrilha. No final, estrelas cadentes encerram a noite, despedindo todos os participantes da festa. Toda semana tem festa na colina.
A colina seria o melhor lugar para se viver, caso não fosse uma colina do Rio de Janeiro.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Os Eremitas Sociais
Quando ando por ai, nesse mundão de meu Deus, sempre observo nas pessoas seus hábitos e atitudes. Conhece-se uma pessoa por suas ações e atitudes; nessas andanças tenho notado o crecente número de eremitas ao meu redor. Não são eremitas comuns, iguais àqueles que ficam enfiados em fendas nas montanhas. Esses neo-eremitas não vivem mais sozinhos e isolados, pelo contrário, interagem com as pessoas, trabalham, tem família, filhos e até colegas.
Na verdade é uma subespécie que vive trancafiada em seu próprio mundo imaginário. Começam a fabular mundos fictícios complexos, baseados em verdades inverdadeiras que servem de alicerce para um novo mundo florido e perfeito. É como Nietzsche assina em minha postagem anterior: "A maior inimiga da verdade não é a mentira, mas a convicção." Ele está coberto de razão. Os novos eremitas fantasiam um pseudo mundo perfeito com tantos detalhes que acabam acreditando que eles existem e são reais. Ao fazer isso, eliminam pessoas reais de seu convívio, porque não se encaixam em seu mundinho.

Não adianta apenas falar que esse mundo não existe, que o mundo não é assim, ou que ele não pode rejeitar pessoas que eram amigas e agora não se encaixam eu seu novo mundo. O errado já virou certo; as mentiras e farsas que tanto falaram já se tornou uma verdade cega dentro de seus corações.
Com o tempo, os eremitas passam a não ter mais amigos, colegas, namorada... Vive completamente sozinho dentro da casa onde mora com a família. Fica trancado no quarto, preso em um universo "second life". Impera o MSN, ORKUT, GAZZAG e tantas outras traquitanas comunicativas que possam existir. Conheci o pai de uma menina, que morava sozinha trancada no quarto. Quando ele chegava em casa depois do trabalho, tinha que ligar da sala para o celular da filha que estava no quarto para que pudesse falar com ela. Ela ficava trancada. Eremita.
Com o tempo as pessoas mudam tanto que quase ficam desfiguradas. Parece que outra pessoa assumiu o comando de sua vida. Um outro "fulano" emerge do interior solitário da pessoa.
Temos que ficar de olho para que as mentiras, inverdades, incoerências e outras "ins" não nos afastem do mundo vivo real.
Hoje uma música do grupo Secos e Molhados ganhou uma nova interpretação para mim
Quando nós aprendemos um idioma e não o usamos, vamos perdendo a fluência; têm pessoas que não se comunicam a tanto tempo que já esqueceram até como se fala. Só lhes resta gemer por ajuda. Será que elas realmente se deixarão ajudar, já que isso lhes custaria seu mundo perfeito e doentio? Essa pergunta eu deixo para quem ler responder, caso não seja eremita.
